Nos meus quase 30 anos senti a necessidade de criar um espaço onde tentarei apenas comunicar, e sorrir. Aqui está ele!

19
Set 08

E foi assim...

Depois de um dia de muito trabalho, por um lado cansada, por outro sentia-me realizada, que tudo acabou...

 

Concluí que sou muito nova, para me deixar subjugar por uma qualquer pessoa. Concluí, depois de várias conversas para o chamar à razão, onde vi resultados rápidos e imediatos, sem duração apreciável, que conversas não nos iam levar a lado nenhum.

 

E então, preparei-me para o momento. Aproveitei a ausência do Alexandre, cheguei a casa, liguei a televisão bem alto, num canal de música. Estava a passar as melhores canções de amor de sempre. Ainda pensei que ouvir canções românticas me podiam fazer voltar atrás, mas não.

As músicas passavam, e eu não sentia nada. Nada.

 

E o José chegou a casa, e começou a refilar, porque a porta estava trancada. Eu expliquei... E depois começou por causa do meu lanche ser uma pizza, e eu expliquei, ...e depois começou porque o congelador estava cheio.... E depois bateu com a porta do congelador, e disse asneiras. Não, decididamente, não é isso que eu quero. Eu continuei no sofá, a ver a minha série preferida, e no intervalo fui à cozinha, e ele estava a jantar... Pois é, diariamente, chego faço o jantar, chamo-o para jantar, ele come ou não come, não posso contar com ele para comer, e não posso deixar de fazer comer para ele. Mas nunca, nunca jantei sem primeiro chamá-lo.

 

Esta atitude, fez com que aproveitasse o intervalo para me sentar na cozinha durante 2 minutos e lhe dissesse apenas, que temos de repensar na nossa vida, de forma a prepararmos a separação. Disse-lhe de forma clara para ele procurar outro local onde morar, disse-lhe que ele não tem o direito de andar aos pontapés ao meu congelador, e chega de faltas de respeito. Disse-lhe que para mim, nada muda. Continuamos a morar na mesma casa, mas desta vez, com uma perspectiva de futuro em que nos encontramos separados.

 

E... claro que o José foi apanhado de surpresa. Talvez pensasse que eu ficaria o resto da vida a aturar as suas cenas. Talvez ele ainda tivesse esperança que algo mudaria. Mas não mudou. Um ano e nada mudou. Apenas a minha forma de reacção mudou. Deixei de gritar, de responder. Deixei-o falar, deixei-o ofender, deixei-o entrar nos seus monólogos psicóticos, e eu nada disse.

 

Quanto ao amor físico, pois, há muito que me dei conta que o José se tornava outra pessoa no dia em que tinha vontade de sexo, então aí ele era o José por quem eu me apaixonei há 18 meses atrás... Mas no dia seguinte, voltava ao mesmo.

As coisas complicaram-se exactamente quando a vontade física foi reduzindo para uma/duas vezes por semana. Então eu tinha alguém de quem eu gostava durante dois dias e alguém de quem eu não gostava durante 5 dias.

E foi piorando.... até haver vontade física de duas em duas semanas... Nesta altura, eu decidi.

E fiquei quietinha no meu canto, com a minha decisão. Até chegar  momento de comunicar-lhe. Quis ter certeza, se bem que eu acho que não há certezas efectivas.

Chegou o momento. Agora tenho as minhas certezas consolidadas, de forma a saber que tomei uma decisão clara, sem dramas, sem discussões, sem mágoa e sem rancor. Apenas uma decisão difícil, como tantas outras.

 

E venha o dia seguinte.

publicado por r__casimiro às 10:19
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comentários:
Vim até aqui conhecer o seu cantinho. 1º- gostei muito do nome, 2º gostei muito da forma como escreve.
Hum... será que temos aqui uma mulher decidida? Voltarei.
Perfume a 19 de Setembro de 2008 às 14:35

Sim, uma mulher decidida em geral, no dia a dia, mas neste relacionamento com tantas duvidas que assolam a alma.... esperemos pelas cenas dos próximos capítulos.
r__casimiro a 24 de Setembro de 2008 às 12:20

Quando o sol teme em não aparecer é porque está nevoeiro ou há tantas nuvens que se adivinha tempestade.
O nevoeiro vai rapidamente, se o sol continua a não aparecer é porque com certeza vai chover.
O melhor a fazer é proteger para não ficarmos molhados.
Se isso não vai, e a relação continua a molhar e a molhar, o melhor será então agarrar noutro guarda chuva e seguir viagem.
Quem sofre sempre, são as crianças. Não te esqueças que elas têm um dom natural para se culpar por tudo o que acontece entre os pais.
Beijinhos, força nisso e espero que consigas fazer o sol voltar a brilhar.
Patricia a 24 de Setembro de 2008 às 11:45

Nunca sei se conto com sol ou chuva. E quando vejo o sol brilhar, logo de repente, e sem previsão do boletim meteorológico, logo começa a trovejar, e caiem raios e coriscos! mas um raio de sol regressa, raramente...
r__casimiro a 24 de Setembro de 2008 às 12:23

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